O que estou fazendo? Nada do que disse me é novidade. Onde quero chegar? Este é o ponto: se soubéssemos não daríamos tantas voltar em torno das mesmas crises e das mesmas questões. É a sina de ser humano e sujeito à instabilidade mesmo no âmago do racionalismo. Estou somente triste. Não se pode evitar e nem se deve: a tristeza aos níveis mais subterâneos apenas faz a alegria cíclica parecer existir nos níveis mais elevados.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Um deserto de imaginação
O que estou fazendo? Nada do que disse me é novidade. Onde quero chegar? Este é o ponto: se soubéssemos não daríamos tantas voltar em torno das mesmas crises e das mesmas questões. É a sina de ser humano e sujeito à instabilidade mesmo no âmago do racionalismo. Estou somente triste. Não se pode evitar e nem se deve: a tristeza aos níveis mais subterâneos apenas faz a alegria cíclica parecer existir nos níveis mais elevados.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Olhos de TV
Não se sabe exatamente em qual parte do globo, um apartamento confortável. Era domingo à noite. Um rapaz de uns 19 anos chamado Yuri, talvez um pouco mais, assistia um filme. Nos sofás e poltronas da sala, seus pais e irmãos. Uma cena normal, familiar. Chegando mais perto, porém, enxergam-se lágrimas nos olhos do garoto e uma expressão contida de desespero, agonia, confusão. Rapidamente ele olha para os lados. Todos estão vendo o filme, tranquilos e felizes, mas ele não consegue tocá-los. É como se não estivessem na mesma dimensão.
Sua mãe oferece pipocas com manteiga. Ele prova. É como se estivesse comendo ar. A pipoca não tem gosto. É como se não estivesse comendo nada. O refrigerante que a acompanha, é como se evaporasse da boca. "O que está acontecendo?", pensava ele. Retira de seu bolso um drops de cereja e, felizmente, tinha gosto de drops de cereja! Enquanto chupa a bala, prossegue olhando para a tela. Aos poucos, é como se tudo ao seu redor estivesse se desfazendo. Você já teve esta sensação? É como olhar um ponto luminoso fixo, que era a TV, enquanto tudo ao redor se desfaz no ponto cego da vista. Ele, no entanto, preferiu não tirar o olho da tela. Temia o que seus olhos poderiam mostrar.
Parte I - Assustadora vida feliz
Na tela da TV, passava um filme indicado para toda família, um enlatado, um "blockbuster" como dizem. O protagonista era jovem e elegante. No decorrer do filme, ele enfrenta desafios como em praticamente todos os filmes deste estilo e tão previsivel quanto isso: ele os vence. Neste meio tempo, encontra uma jovem e se interessa por ela. Na metade final do filme, há uma grande perda - alguém morre ou ele precisa renunciar a algo e em contrapartida, ganha o amor da jovem e tudo acaba bem, como sempre. Ou melhor, quase tudo. Bem perto do fim, vemos o protagonista fazer algo que não parecia previsto no script. Vamos olhar um pouco mais de perto.
O protagonista não parece tão feliz. Ele tem uma expressão de impotência e reaje aos outros com espanto, parece os evitar e não consegue. É como se estivesse sendo empurrado pelo desenrolar do enredo. Encontra-se com a jovem, que o beija e não deixa qualquer impressão em sua boca. Ele sequer reaje. Após isso, tira de sua boca um drops e olha para adiante de tudo, como se pudesse assistir sua família parada e sentada em sofás e poltronas. Ironicamente, eles não podem ver que nosso protagonista os está vendo. A tela preta e as letras de crédito tomam conta da televisão.
Parte II - Criatividade árida
O jovem protagonista, Yuri, vê tudo escurecer e um novo cenário surge. Agora, ele é um adolescente chamado Andy em meio aos amigos com espírito aventureiro, que estão planejando passar as férias numa casa de praia. Momentos depois, já estão lá. Um deles , apelidado de Mike era particularmente irritante e fazia o comentário mais impertinente possível a todo instante, seja sendo vulgar com as garotas da "turma", seja exalando uma forçosa prepotência travestida em uma simpatia chauvinista. Yuri, à respeito deste sujeito, pensava: "eu ficaria feliz se este cara simplesmente sumisse".
Instantes depois, Mike é encontrado morto, misteriosamente assassinado. Uma das garotas reaje feito uma histérica gritando de maneira desesperada, enquanto nosso protagonista apenas olha espantado a realização de seu desejo, imaginando se havia relação entre seu desejo e a morte. Olha com expressão de misericórdia para a garota histérica, mas nota que ela é bastante superficial, apenas está gritando frases como "não pode ser!" "como isso foi acontecer?". Apenas está fazendo escandalo, mas é como um escândalo niilista de quem apenas não quer passar a impressão de ser insensível. Nota então que todos da turma parecem representar papéis superficiais e percebe que logo em breve, a histérica morreria, depois um por um dos demais, exceto uma das garotas que parecia dar mole para ele. A história se repetiria, afinal! Não importa qual o pano de fundo, qual o gênero se é que se pode diferenciar estes filmes em gêneros, alguns aspectos básicos iriam sempre se repetir e faria tudo previsível, tudo vazio.
Aqueas pessoas, entendeu ele, aquelas a sua volta chorando a morte do amigo, não podiam deixar de ser superficiais porque estavam marcadas para morrer. Olhou para fora da tela e viu expressões faciais de satisfação, de expectadores que esperavam por estas cenas e resolveu que aquele dia não poderia ter final feliz. Talvez só assim, conseguiria sair de sua sina repetitiva, de seu circulo vicioso alimentado pela satisfação de espectadores cujo espírito repetitivo era alimentado por filmes que, em seu âmago, eram todos iguais.
Durante toda a trama, procurou o assassino e queria ser morto por ele. Quando o encontrou, provocou até levar um tiro e caiu, perdendo a consciência aos poucos e se sentindo satisfeito, feliz por se livrar de seu circulo vicioso.
Parte III - Marcado para viver
Era um quarto confortável e bonito. A visão voltava aos poucos, assim como os outros sentidos. Procurava lembrar como veio parar ali e então percebeu: seu plano falhou. Milagrosamente sobreviveu. O tiro pegou de raspão. Uma das garotas da turma dizia a um dos caras que o protagonista retomou a consciência e havia jurado vingança. "O que? Minha atitude foi englobada no script? Não pode ser!" Resolveu então deixar tudo rolar, até o final feliz. Não havia mais nada a fazer, a não ser aturar a felicidade programada.
Assim foi em sucessivos filmes. Alguns eram comédias românticas ou apenas de idiotices, outros eram pseudo-dramas, outros eram suspenses e todos eram iguais. Ele sobrevivera a todos, encontrava uma namorada em quase todos e enfrentava desafios guiados sempre por um pano de fundo maniqueísta. Por mais que tentasse ser mal, era sempre bom e do bem.
Em um destes filmes, estava em uma lanchonete. Olhou ao redor e percebeu que estava com mais quatro "amigos" que combinavam de ir ao boliche. Tanto na lanchonete como no boliche, percebbeu cada vez mais como as frases de efeito retirada de músicas de sucesso ou com mensagens politicamente corretas, as poses, em especial poses repetitivas para tirar foto, com sinal de "V", de positivo, os sorrisos sempre iguais eram extremamente irritantes. Após tudo isto, Yuri, nosso protagonista foi para "sua casa" e após algumas cenas, se viu no sofá assistindo a um filme com "sua família" e pensou: "um filme dentro de um filme destes deve ser realmente uma bosta". Já perto do final do filme, um final feliz, um beijo entre os dois protagonistas seguido de uma fala da 'mocinha': "que delícia!" e então o mocinho tira algo da boca e mostra dizendo: "gostou do meu sabor cereja?"...
Yuri sentiu um dejavú. Foi como se levasse um choque que o acordasse de um transe percebendo que ele era aquele protagonista e que seu ato espontâneo de tirar a bala da boca no primeiro filme não fora espontâneo, estava programado no roteiro. Percebeu que suas ações estavam condicionadas. Não poderia viver livre, mas também não poderia morrer como o protagonista. Estava marcado para viver.
Sabendo que não podia mais fazer nada, mas que não aguentava mais ficar ali e assistir aquele dejavú, levantou e caminhou para fora da sala. "Sua família" não esboçou reação, exceto por sua mãe que, em um tom carinhoso disfarçando uma atitude policialesca disse: "onde vai, querido?". Ele a fitou por alguns instantes e seguiu o diálogo:
- "eu apenas vou dar uma volta..."
Ela respondeu com um sorriso. - "dar uma volta onde? Não quer a nossa companhia?"
- "Sim, eu quero. É que eu já assisti a este filme"
- "Não. Este é inédito, este é o '3', você deve ter assistido aos dois primeiros, vai perder o final?"
- "faz alguma diferença?" - e pensou consigo mesmo, "eu assisti por dentro, no fundo, não importa" e saiu.
Na rua, já bem tarde, foi até uma loja de conveniência. Lá, estava bebendo umas cervejas sozinho. De repente o local foi atacado por bandidos armados que renderam todos. Yuri resolveu reagir, afinal, o mocinho não morre mesmo e ele queria beber tranquilo. "Você é insano?" disse o bandido."Vamos, atire. Eu vou chamar a polícia se vocês não sairem". E ante o olhar assustado dos bandidos foi até o telefone, quando pegou o aparelho, tomou um tiro no braço e virou rapidamente para os assaltantes com um olhar de confiança. Em seguida, tomou três tiros que pegaram regiões de sua barriga e perto de seu peito. Os bandidos se assustaram e fugiram levando qualquer coisa pelo caminho. Ao cair em seus últimos suspiros, nosso protagonista percebeu uma televisão ligada e via os instantes finais do filme. A 'mocinha' chorava a morte do 'mocinho' dizendo "por que você tinha que ir? Não podia apenas ficar em casa?". Neste mesmo instante, a mãe, em casa, desligava a televisão ao final do filme e disse aos outros: "Pena que oYuri saiu, perdeu um grande filme, grande final. Talvez ele não soubesse e por isso mesmo saiu, mas os protagonistas às vezes morrem no fim".
terça-feira, 14 de outubro de 2008
A Escola da Morte
Prólogo
Um dia eu e meu filho chegamos na cidade. Procurei uma escola para matricula-lo e encontrei o Colégio Netuno localizado na casa número 8 de uma linda praça redonda com um grande relógio de sol no centro. Era uma escola bastante tradicional, daquelas cheias de regras rígidas, onde o horário de estudo pegava o turno da manhã e por três dias na semana, o da tarde. Não havia cantina, apenas uma merenda igual para todos, composta por um sanduiche e um suco, com gastos embutidos na mensalidade.
1º Dia
Meu filho arrumou seu material, uniforme, tomou café da manhã e foi pra escola. Quando voltou, me disse que conheceu quatro garotos, que eram legais e que qualquer dia traria eles em casa para que me conhecessem. Fiquei feliz em ver que tinha se adaptado. Não estava mais triste, com saudades da mãe, estava conhecendo pessoas novas e eu ficava contente em ver o sorriso em seu rosto.
5º, 6º e 7º Dias
Sexta-feira, meu filho voltou da escola, pediu para sair com aqueles amigos de quem me falou a semana toda. Permiti. Iriam dormir na casa de um deles.
Quando voltou, me contou que foram ao cinema, depois foram em uma festa com outros alunos da escola, que conheceram garotas e que depois da festa, passaram a madrugada conversando e jogando cartas. Me falou sobre seus amigos. Rodrigo era o líder da turma, extrovertido, inconsequente, seus excessos eram equilibrados pelo sensato e inteligente Fernando. Carlos era o mais rico e foi na casa dele que dormiram, enquanto que Pedro era tímido, meio depressivo e sempre era animado pelos demais, principalmente por Rodrigo.
Uns seis meses se passaram e a amizade aumentava.
194º Dia
A diretora chamou Rodrigo em sua sala, bravíssima. Quando voltou, meu filho e os outros ficaram sabendo que ele havia colocado uma câmera no banheiro das meninas e planejava ver com seus amigos depois, o filme. Não contou nada porque achava que eles teriam medo. Pelo arquivo da câmera, de fotos pessoais do Rodrigo, a diretora deduziu o dono da câmera e ele confessou. Os quatro ficaram furiosos com Rodrigo, brigaram, não queriam mais falar com ele, de raiva de sua atitude tão impensada. Ao menos tivesse apagado o arquivo da câmera! Que tolice!
197º Dia
Algumas alunas e suas famílias pressionaram e Rodrigo acabou sendo expulso do Colégio Netuno. A escola era tradicional demais para isso. Apenas os quatro amigos resolveram romper o gelo e defenderam Rodrigo, mas não teve jeito.
202º Dia
Nos dias anteriores, os pais de Rodrigo resolveram matricula-lo num colégio interno, com uma disciplina quase militar. Rodrigo sentiu-se tão mal de perder sua liberdade que, quando seus pais saíram de casa, pegou o revolver de seu pai e se matou.
203º ao 208º Dia
Meu filho e seus três amigos ficaram chocados e passaram a rpotestar na escola o tempo todo. Acusavam a diretora de assassina, responsabilizavam-na pelo que aconteceu. Mesmo o mais comedido, Pedro, ameaçou-a de morte. Gritaram tanto na escola que atraíram a inimizade de alguns colegas e professores. Estavam impossíveis. Era setembro e quando eu ia até a escola, sentia que a diretora torcia para aquele ano maldito acabar logo.
209º Dia
Meu filho chegou em casa muito assustado, chorava. Contou que logo após o intervalo, Fernando teve uma crise nervosa e caiu morto. Fiquei espantado ao ouvir aquilo. Imaginava a cena. Nem o conheci, mas ouvia falar muito bem daquele garoto, um estudante exemplar. A escola ficou de luto.
211º Dia
Mais uma morte. Igual à primeira, desta vez era o saudável Carlos, que praticava esportes, que ninguém esperava que fosse ter uma vida tão curta. Suspeitas de conspiração. Parecia que o grupo de meu filho estava causando tanto tumulto que alguém estava de alguma forma matando-os. Será que sua merenda estava envenenada? Foram enviadas amostras para que fossem investigadas. Mas eu devia pensar em algo logo ou meu filho morreria. Restavam apenas ele e Pedro, que estavam visivelmente apavorados, andavam juntos com muito medo.
213º Dia
Pedro não comeu a merenda, apenas bebeu o suco, mas mesmo assim, teve convulsões e morreu ali mesmo, no pátio. Meu filho não chorava mais, não falava mais. Sentia uma tristeza profunda.
214º Dia
Passei o dia procurando uma escola nova para matricular meu filho. Não podia mante-lo nesse ambiente. Acertei com uma escola onde iria começar a estudar na semana seguinte. Meu filho concordou, disse que iria a escola no dia seguinte para se despedir de todos.
215º Dia
Meu filho me ligou, disse que eu devia encontra-lo na rua de trás do colégio que estava mal e não conseguiria voltar pra casa. Me desesperei, não queria acreditar no pior. Quando cheguei lá encontrei-o sentado na cançada encostado em um muro. Fui correndo até ele. Estava vivo ao menos. Chamei-o, não respondeu, balancei seu corpo e então percebi que soltava uma baba. Meu filho estava morto! Maldição! Resolvi ir até a escola reclamar, vi a diretora sendo presa. A merenda deles estava mesmo envenenada! Fiquei indignado, pensava em matar aquela mulher, mas não tive tempo, ela entrou no camburão. Foi encontrado um pote de veneno em sua mesa. Que burrice vulgar, como se expôs dessa forma, aquela serial killer!
216º Dia
Resolvi abrir a mochila de meu filhoe arrumar seus pertences. Encontrei um bilhete, um muito sinistro. Tinha a assinatura dos quatro garotos, excetuando Rodrigo. A letra de Fernando escrevia que deviam passar o produto em seus lanches e comer sem vacilar. Que ele seria o primeiro. E que ao último, meu filho, caberia a tarefa mais difícil., além de assistir a morte de cada um, calado, ele teria que colocar o pote na mesa da diretora, que se ele falhasse, tudo teria sido em vão.
Logo abaixo, um lema escrito com quatro canetas de cores diferentes e letras diferentes, mas que ainda assim era legível, dizia: Um por todos, todos por um. E abaixo, a letra inconfundível, era de meu filho, dizia: Deus nos compreenderá. Voltaremos a nos encontrar, nós cinco.
A diretora então, era inocente. Pegou trinta anos de cadeia. Tomei uma decisão, guardei a folha e nunca, nunca, revelei a ninguém. Na vingança fria e macabra, descobri em meu filho um humano de virtude e em seus amigos, lealdade e coragem que eu nunca teria, não me vendo no direito e tornar estas cinco mortes em vão.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Máquina do Tempo
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Ruslan - parte II
Na manhã seguinte, Anne voltava para a cidade. Queria saber o que aconteceu, afinal.
Descobriu que infelizmente estava certa. Casas destruídas, corpos de cadáveres espalhados pelo chão. Desolação total. A igreja da vila, uma construção mais resistente, em estilo gótico primitivo estava de pé, mas seus vitrais estavam quebrados e sua porta de entrada tinha tombado. Ouviu algum barulho vindo lá de dentro e resolveu entrar, já que pensava que ninguém tinha sobrevivido na cidade.
Alguém poderia ter tido a mesma idéia que ela e se ausentado durante a noite, afinal. Ou poderiam ser as tropas inimgas. Deveria entrar com todo cuidado, então. Ao entrar, viu Marc e Viga ao centro da igreja, conversando. Sentiu uma ponta de felicidade em encontrar os dois juntos e vivos. Foi até eles.
Viga:
- Anne. Então você está viva. Que bom vê-la, conseguimos escapar porque fomos avisados do que estava pra acontecer, mas não tivemos permissão de avisar ninguém! Como sobreviveu?
Marc:
- Por onde esteve, cara Anne!
Uma voz soturna e agoniosa cortou o diálogo:
- Meu sobrinho! Está morto! Meu sobrinho! Berg!
Os três olharam a figura idosa, de olhos grandes e vivos, o tio de Berg.
Marc:
- Eu lamento. É muito triste a tragédia que aconteceu graças a essa guerra infeliz!
Tio:
- Ele não morreu pelo incendio e nem pelas armas dos soldados. O corpo de meu sobinho estava todo destroçado como se alguém tivesse arrancado partes de seu corpo que tem marcas de algo como... dentes!
Silencio total. Entreolharam-se com faces de perplexidade.
Viga:
- Espere. Como você sobreviveu?
Novo silencio...
sábado, 12 de janeiro de 2008
Projeto Forseti
http://projetoforseti.blogspot.com
Trata-se de uma história meio fantástica que eu estou criando, dividida em capítulos. Cada post é um capítulo e então, a periodicidade deverá ser semanal, mas flexivel. Quem lê este meu blog, não precisa se preocupar, não pretendo desativar este.
domingo, 6 de janeiro de 2008
Leis da Natureza
No método científico, à grosso modo, partimos de uma tese que embasada em fatores, se torna hipótese. Então, através de pesquisas, busca-se evidências, busca-se provar a hipótese e teremos uma lei, que, como aconteceu inumeras vezes foi posteriormente desbancada por novas e mais aprofundadas leis.
No direito, um grupo de pessoas - que pode ser pequeno ou grande - cria as leis que vigoram dentro de um determinado espaço, seja uma nação, uma cidade, um estado, enfim. O que importa é que sempre existe um grupo (mesmo em ditaduras) que tem o poder de atualizar as leis, de modifica-las para adapta-las às novas situações.
O que quero dizer com isso é que mesmo um país e mesmo a ciência não são compreensíveis porque eles mudam a todo instante e suas leis também precisam mudar. Então, a compreensão de qualquer coisa é meramente temporal. Eu compreendo que uma caixa é quadrada e esta minha compreensão sobre ela será válida até o dia que ela for amassada e rasgada por meus gatos. Então, a minha idéia de caixa quadrada não corresponderá mais ao real. E isto é apenas um exemplo banal, porque todas as outras coisas do mundo se modificam e, a maioria delas, muito mais rapidamente que uma caixa.
Sendo assim, não acredito ser possível estabelecer leis. Mesmo leis de convivência como se propõe os dez mandamentos perdem a valia. Que dizer do "Não Matarás" em casos que muitos e inclusive eu, apoiamos, de legítima defesa, aborto ou eutanásia? Ou ainda, sabendo que mesmo quando desperdiçamos alimento ou quando compramos de empresas com ações na industria bélica, estamos indiretamente ferindo o tal mandamento?
Digo mais: se a morte é um processo natural e nós, seres humanos, somos parte da natureza, que surgimos em um processo evolutivo graças à interação com o natural, então, matar uma pessoa é um processo natural, a própria seleção natural funciona aí de maneira muito mais complexa do que conhecemos na aula de biologia. A industria e as transformações que o homem faz na natureza são processos naturais.
O artificial não é senão um subconjunto da natureza e quem terá a pretensão de ditar as leis da natureza? Eis que a natureza não é um processo acabado. Está em constante transformação - e somos parte disso - e não sabemos como ela reagirá nas próximas décadas então, é impossível compreende-la em absoluto.
Como já apontava Marx há dois séculos, perde-se tempo buscando a compreensão total do mundo enquanto ele está em constante transformação, convem então utilizar o que se tem de conhecimento para incidir ativamente sobre ele, transforma-lo. Isto significa que exista um sentido histórico ou uma missão para a humanidade? Não necessariamente, neste ponto é preciso discordar de Marx para não cair em um novo dogmatismo. A sociedade não tem um fim, nada precisa ser conservado e é preciso adaptar as estratégias que visem a liberdade nas relações sociais, a auto-superação nas artes e na ciência sem limites. O prazer sem culpa, a felicidade sem devoção. Não porque isto é o "fim da história" ou o certo a se fazer ou o mais científico, mas porque é uma forma de fazer a vida em sociedade valer a pena.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Qual o sentido de sua vida?
Na verdade, sequer precisariam existir animais racionais, uma vez que a própria capacidade criativa e inovadora do homem seria nociva para a religião, notóriamente conservadora e enraizada em dogmas. Não é atoa que o espírito revolucionário próprio de seres inquetos como os humanos é sempre criticado como "subversivo" ou "libertino" por líderes religiosos. Assim, seria mais conveniente que apenas existissem ovelhas, como o animal dominante sobre o planeta. Vem daí a comparação entre religiosos e o rebanho, o pastor e suas ovelhas.
Como o sentido religioso apenas faz com que não haja um sentido da própria existência, a religião é em verdade, o próprio niilismo, uma vez que faz apologia ao nada, a nenhuma mudança, a nenhuma transformação humana que para eles, iria de encontro aos preceitos já estabelecidos por alguma entidade superior (Deus). É preciso então buscar um sentido próprio. É preciso entender que nós existimos e temos um cérebro justamente para que ele encontre utilidade, para que crie um sentido para sua própria existência.
Assim, não existe tabu inquebrável, embora você não precisa quebrar todos. Não existem valores imutáveis, embora você não precisa romper com todos. Não existe bem e mal porque não existe quem defina o que são, embora deva saber que sair prejudicando todos os que encontrar pela frente provavelmente vai fazer com que você saia prejudicado por alguém também.
Sartre disse que a essência, o sentido da vida surge após o nascimento e cada um deve buscar o seu. Penso que aí se inclui a morte também. Se durante nossa vida, estamos criando e formando o sentido dela, a obra estará será terminada - porém nunca pronta, quando morremos. Muitas vezes, quando escrevo, me preocupo em deixar um bom acervo sobre meus pensamentos, opiniões, idéias e tudo mais, para que não morram comigo. Não sei dizer se é uma contribuição significativa. Talvez ainda não, mas eu também não cesso de escrever. Sinto-me como construindo um castelo, tijolo por tijolo, seja quando dou aulas, seja quando exponho minhas idéias, seja quando minhas atitudes vão de acordo com o que penso e seja quando escrevo algo.
O sentido da vida, para mim, é construi-la, não caindo nos obstáculos, mas tornando-os parte da construção porque todos nós conhecemos o óbvio sorriso de satisfação de um cara feliz, neste ponto, somos todos humanos iguais, mas é diante dos desafios que as pessoas se distinguem. Que o ouro se diferencia de uma mera pedra reluzente. Por isso, mesmo não acreditando em bem ou mal, possuo meus princípios ao agir, que vão de acordo com o que eu penso, faço de minhas ações um exemplo daquilo que eu mais gostaria de expressar. Não me preocupo e nem me importo em fazer o bem e nem em ser humilde e modesto, escondendo o que eu realmente penso. Me preocupo em agir de acordo com o que eu defendo, em encontrar desafios e tornar minha existência mais e mais forte para que algum dia eu perceba que ela tem um significado.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Nunca acreditei em inferno astral
Só que isto não foi tudo. Aliás, sequer o mês acabou. Resolvo então virar a página e ver o que mais dezembro me reserva. Eis que daí encontro minha foto, é o jornal, tem uma reportagem sobre mim, como um cara responsável e um jovem exemplar. É preciso então mudar o tom, quebrar tabus, separar os frescos daqueles companheiros que realmente querem ação e transformar o tédio em festa. Quer exemplo maior para mim do que ter ido à praia e ficar queimado de sol? (eca! Não acredito que você fez isso, Felipe!)
Agora olho para o céu, está com uma cor rosada e com estrelas. Eu costumo dizer para algumas pessoas que é como se estivéssemos dentro de uma grande Fanta Uva. Que gelada, cairia muito bem nesse calor. Então, por favor, me dê uma de natal! Não importa que eu despreze natal, gosto dos pinheiros, das luzes, do ambiente comercial porque estes desvirtuam totalmente uma festa que poderia ser cristã, para o desespero engraçado dos cristãos mais fanáticos e medievalescos, fazendo com que ela se torne a festa mais nonsense do ano.
E ainda restam cinco dias inteiros. Por que eu acreditaria em inferno astral?
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Somos amigos em terra, somos amigos no mar
Da mesma forma que eu penso que aquilo que não nos derruba de vez, apenas nos fortalece, eu penso que uma amizade não se mede por palavras doces ou por momentos felizes. Mas por vezes em que ela passou por momentos críticos e não se derrubou!
Existem aquelas que na primeira crise, na primeira intriga, a amizade se esfacela. Se mostrava superficial, efêmera, frágil. Não vale a pena ser cultivada. Existem aquelas, porém, que persistem. Aquelas que você não apostava muito, mas que permanecem. É preciso valorizar estas pessoas.
E não digo valorizar por uma questão de necessidade de ter amigos, mas por uma questão de afinidade, de ter boas companhias e de lealdade.
Hoje eu acordei com uma vontade de mostrar isso. Não que isso seja muito relevante, mas é simbólico: resolvi escrever sinceramente para cada um dos meus amigos que considero como sendo do segundo tipo - das resistentes, das fortes e afirmando porque são importantes pra mim. Com todos eles eu já dei alguma mancada ou eles já deram comigo, mas é valioso que nada disso nos derrubou, juntos fomos a guerra e juntos estamos no bar!
Liberdade e Moral
Além disso, sinto-me tão bem em saber da pessoa que me tornei, em morar sozinho, em ter gatos, em ser agnóstico, em ser leitor assíduo de autores que sempre tive vontade de ler, em manter com velhos amigos um vínculo que nunca morre.
É a maturidade crescente e notória a cada vez que compro novas roupas ou quando escuto novas músicas e converso com as pessoas.
Se eu olhasse pra trás, diria que o caminho até aqui teve muitos erros de percurso, muitas falhas, mas que no geral, só posso me orgulhar do que eu sou. Me sinto livre, cada vez mais livre dos valores morais, da hipocrisia dos conservadores, não por eles não existirem, mas por eu ser cada vez mais forte e indiferente a todas as besteiras cotidianas. Mesmo quando estou sozinho, não preciso me sentir só, eu realmente sinto que é melhor do que estar mal acompanhado de moralistas e hipócritas orgulhosos de sua quixotesca existência.
O que eu preciso nesse momento é de ação, é de novos desafios.
domingo, 9 de dezembro de 2007
Nichts Bewegt Sich
Era uma noite. Céu aberto, mas luzes ofuscavam as estrelas. Mal se viam elas e para completar, era uma noite sem lua, faltou o seu brilho, tornando aquela uma noite de sensações incompletas.
Foi então que a festa acabou, guardem as máscaras, desfaçam a maquiagem, deixem o que resta para os sonhos, fechem as portas.
Chega o momento de uma longa travessia. Ruas desertas. Era o unico espectador do palco de cada esquina que guardava uma lembrança, de sonhos despedaçados, de aventuras errantes, de amores impossíveis, de amigos que passaram por cada época, fragmentos de uma saga sem fim. - "a minha saga" - pensava então enquanto procurava pela esquina que lhe traria o futuro, o caminho, o tesouro esquecido.
No fundo, pensa, nada se move. Continua andando em circulos. Perdido, anda porque procura pelo poder que estava em si. Cheio de esperança, olha para dentro de si, mas não vê nada, não encontra as respostas. Por isso segue, mas a travessia é impiedosamente solitária, aonde irá levar?